Nas comunidades liberais e entre casais que praticam a troca de parceiros, um assunto costuma gerar mais dúvidas do que qualquer outro: o sexo anal. Entre curiosidade, receios e uma infinidade de informações desencontradas nas redes sociais, muitos casais acabam recorrendo à internet antes mesmo de buscar orientação de profissionais de saúde.
Foi justamente esse o tema abordado pela reportagem “Tudo o que você quer saber sobre sexo anal e tem vergonha de perguntar”, publicada pelo portal Metrópoles, na coluna Pouca Vergonha, assinada pela jornalista Carinne Souza. A matéria reúne esclarecimentos de especialistas e reforça que falar sobre sexualidade com responsabilidade é mais útil do que perpetuar preconceitos.
Na minha opinião, esse talvez seja o maior mérito da reportagem. Ela não diz que todas as pessoas devem experimentar essa prática. Também não afirma que ela é melhor ou pior do que qualquer outra. Ela apenas lembra que informação de qualidade é sempre melhor do que desinformação.
A reportagem cita especialistas e faz referência a um artigo publicado no British Medical Journal (BMJ), elaborado por profissionais ligados ao National Health Service (NHS), do Reino Unido. Os autores chamam atenção para um problema recorrente: muitas pessoas praticam sexo anal, mas poucas recebem orientação adequada sobre saúde, prevenção e cuidados, justamente porque o tema ainda é cercado por vergonha e silêncio.
Quando um assunto se torna proibido de ser discutido, quem perde espaço é a informação baseada em evidências. E, no lugar dela, surgem mitos, crenças populares e conselhos encontrados nas redes sociais, que nem sempre são confiáveis.
Independentemente da prática sexual escolhida por adultos, existem princípios que nunca deveriam ser negociados.
– O primeiro deles é o consentimento.
Toda prática íntima precisa ser desejada por todas as pessoas envolvidas. Consentimento não é pressão, insistência ou obrigação; é uma decisão livre, consciente e que pode ser retirada a qualquer momento.
– O segundo princípio é o respeito aos limites.
Cada pessoa conhece seu próprio corpo, suas preferências e aquilo com que se sente confortável. O fato de uma prática proporcionar prazer para alguém não significa que ela será adequada ou desejada por outra pessoa.
– O terceiro é o cuidado com a saúde.
Especialistas lembram que a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), o uso de métodos de proteção quando indicados e o acompanhamento médico diante de dor, sangramento ou qualquer alteração são atitudes fundamentais para uma vida sexual saudável. Talvez a maior lição dessa discussão seja simples.
– Maturidade sexual não significa experimentar tudo.
Significa ter autonomia para fazer escolhas conscientes, respeitar o próprio corpo, respeitar o outro e buscar informações em fontes confiáveis.
– No fim das contas, a melhor decisão nunca será aquela tomada por pressão, curiosidade ou influência das redes sociais.
Será sempre aquela baseada em informação, consentimento, responsabilidade e respeito.

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