
Durante um procedimento acadêmico de rotina na Faculdade de Medicina da Universidade de Birmingham, pesquisadores identificaram uma anomalia congênita extremamente incomum: três estruturas penianas em um mesmo indivíduo, condição chamada de trifalia.
O que começou como uma atividade comum de ensino anatômico terminou em uma descoberta científica rara no Reino Unido. Durante a dissecação do corpo de um homem de 79 anos, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Birmingham identificaram três estruturas penianas, uma condição conhecida como trifalia e considerada uma das variações anatômicas mais raras já registradas na literatura médica.
A condição faz parte de um grupo mais amplo chamado polifalia, termo utilizado para descrever a presença de mais de um pênis em um indivíduo. Segundo estimativas citadas pelos pesquisadores, a ocorrência é extremamente rara, podendo afetar cerca de uma pessoa a cada cinco ou seis milhões no mundo.
Um levantamento realizado pela equipe científica indica que, entre os anos de 1606 e 2023, apenas 168 publicações médicas registraram casos de polifalia. Entre esses registros, somente um mencionava a presença de três estruturas penianas a chamada trifalia, o que torna o novo caso um dos mais raros já documentados.
De acordo com os pesquisadores, as duas estruturas adicionais encontradas no corpo analisado estavam localizadas internamente, abaixo da pele. Essa característica pode explicar por que o homem nunca percebeu a condição ao longo da vida. No relatório científico, os autores destacam que “a descoberta mais notável foi a triplicação peniana interna”.
Em situações em que ocorre duplicação externa, quando dois órgãos são visíveis, a prática médica costuma considerar a remoção do órgão acessório, principalmente se ele não apresenta função. Já nos casos em que as estruturas extras são internas e não provocam sintomas, a tendência é que não haja intervenção cirúrgica.
No caso analisado pelos pesquisadores britânicos, os dois órgãos adicionais estavam localizados dentro do saco escrotal, o que provavelmente contribuiu para que a condição passasse despercebida por décadas e só fosse identificada após a morte do paciente.
Os especialistas também apontam que duplicações externas do pênis frequentemente aparecem associadas a outras malformações congênitas que afetam a linha média do corpo, podendo envolver alterações em vértebras, coração, rins, esôfago ou membros. Já duplicações internas, como a identificada no estudo, costumam ser descobertas de forma incidental em exames ou estudos anatômicos.
Segundo a matéria veiculada no portal UOL, na coluna Pouca Vergonha, o caso reforça como estudos anatômicos continuam sendo fundamentais para ampliar o conhecimento sobre variações raras do corpo humano e suas implicações médicas.