
O que a fala de Bruna Lombardi revela sobre amor e desejo na maturidade
Aos 73 anos, Bruna Lombardi afirmou em entrevista ao Correio Braziliense que segue sexualmente ativa e não descarta um relacionamento aberto com o marido de 79. A reação do público mostra o quanto ainda somos etaristas quando o assunto é desejo, prazer e novas formas de amar na terceira idade.
Quando Bruna Lombardi, 73, diz em entrevista ao Correio Braziliense que continua ativa na cama, casada há mais de quatro décadas, e que não descarta a possibilidade de um relacionamento aberto com o marido de 79, muita gente reage com espanto. Como assim falar de sexo, liberdade e abertura de relação depois dos 50, 60, 70 anos? Essa surpresa coletiva revela muito menos sobre ela e muito mais sobre o etarismo que ainda organiza a forma como pensamos amor e sexualidade.
Etarismo na cama: quem pode desejar?
No imaginário comum, desejo tem prazo de validade. O corpo jovem é visto como naturalmente sexual, desejável, digno de experimentação. Já o corpo que envelhece é tratado como se tivesse a obrigação de se recolher à discrição: nada de mostrar demais, de falar de tesão, muito menos de admitir curiosidade sobre práticas “diferentes”, como o relacionamento aberto. Quando uma mulher madura fala publicamente sobre prazer, isso já incomoda. Quando essa mesma mulher menciona a hipótese de abrir a relação, o incômodo dobra. Há uma cobrança silenciosa para que, a partir de certa idade, as pessoas assumam um papel “mais comportado”: avós cuidadosas, casais discretos, sexualidade vivida no segredo absoluto, se é que ainda pode existir.
Bruna, ao dizer que segue ativa sexualmente e que pensa sobre formatos diferentes de relação, escancara o que muitos vivem, mas poucos verbalizam: o desejo não se aposenta.
Depois dos 50, o amor muda, ele não acaba
A maturidade traz mudanças concretas: o corpo sente diferente, o ritmo de vida muda, prioridades se reorganizam. Isso vale tanto para a vida em geral quanto para a vida sexual. Mas diferente não significa pior. Muitas pessoas relatam que, depois dos 50, 60 anos, o sexo se torna mais consciente, menos ansioso e mais conectado ao afeto, à parceria e à curiosidade mútua.
É também uma fase em que muitas máscaras caem. Após criar filhos, enfrentar transições de carreira, doenças ou perdas, alguns casais se perguntam: o que queremos viver daqui para frente? Continuar juntos? Mudar a relação? Testar novos acordos? Nesse contexto, falar de relacionamento aberto não é “coisa de adolescente”. É uma pergunta legítima de pessoas que já viveram muito, conhecem seus limites e desejam negociar novas formas de estar juntas, sem precisar romper a história construída.
Por que relacionamento aberto na maturidade incomoda tanto?
Quando pensamos em relacionamento aberto, muita gente imagina automaticamente um cenário jovem, urbano, experimental. Como se fosse um “território” reservado a quem tem vinte e poucos anos, nenhum compromisso de longo prazo e uma vida sem grandes responsabilidades. Mas a vida real é bem mais diversa. Há casais maduros que, depois de décadas juntos, decidem conversar sobre abertura da relação por diferentes motivos: curiosidade, desejo de reviver o erotismo, assimetria de libido, vontade de experimentar novas dinâmicas sem abrir mão da parceria construída. O incômodo social surge porque essa escolha quebra dois tabus ao mesmo tempo: desafia a monogamia como única forma legítima de amar e questiona a ideia de que pessoas mais velhas devem ser “contidas” em seus desejos. É como se dissessem: vocês já viveram o que tinham de viver, agora comportem-se.
Relacionamento aberto não é solução mágica
Importante fazer um recorte honesto: relacionamento aberto não é remédio para casamento em crise, nem sinônimo de libertinagem. Exige um nível alto de comunicação, responsabilidade afetiva, honestidade consigo e com o outro.
Para qualquer idade, algumas perguntas são essenciais antes de abrir uma relação:
– Estamos falando disso por desejo ou por pressão de alguém?
– Conseguimos conversar sobre ciúme, insegurança e medo sem ataque?
– Temos clareza dos nossos limites e combinados?
– Estamos dispostos a revisitar esses acordos sempre que necessário?
Na maturidade, essas perguntas ganham camadas extras: como isso impacta a família, a rede de amigos, a imagem profissional, a nossa saúde emocional? Temos estrutura para lidar com possíveis consequências? O ponto é: se um casal de 30 anos pode refletir sobre isso, um casal de 60 ou 70 também pode. A idade não torna ninguém automaticamente mais ou menos capaz de fazer escolhas conscientes.
Liberdade, respeito e consentimento em qualquer idade.
O que a fala de Bruna Lombardi faz é deslocar o debate: não se trata de incentivar todo mundo a abrir a relação, mas de lembrar que pessoas acima dos 50 têm o mesmo direito de escolher como querem viver seu amor e sua sexualidade.
Seja na monogamia tradicional, no relacionamento aberto, no poliamor ou em qualquer outro arranjo consensual, três elementos são inegociáveis:
– Respeito a si e ao outro
– Consentimento claro e contínuo
– Responsabilidade afetiva pelas consequências dos próprios atos
Quando olhamos para casais maduros, precisávamos trocar o olhar moralista por um olhar curioso e respeitoso. Em vez de “não tem mais idade para isso”, perguntar: “o que faz sentido para vocês hoje?”.
Da teoria à prática: e se a gente também se permitisse experimentar?
Talvez você e seu parceiro ou parceira não queiram nem agora, nem nunca um relacionamento aberto, e está tudo bem. A questão aqui não é convencer ninguém a seguir esse caminho, mas abrir espaço para conversa sincera sobre desejo, fantasia e intimidade na maturidade. Muitos casais descobrem que, antes de qualquer mudança estrutural no relacionamento, o que mais falta é reconectar o erotismo: se olhar de novo, flertar de novo, lembrar que existe um corpo e não somente uma rotina. E isso pode começar por experiências fora do automático, em ambientes onde a sexualidade adulta é acolhida sem julgamento. Se você leu este texto e sentiu vontade de falar com seu parceiro ou parceira sobre desejo, limites e novas possibilidades, talvez seja a hora de transformar o assunto em experiência concreta.
As festas da Revolution são pensadas justamente para casais de diferentes idades que desejam resgatar a conexão, explorar o clima de sedução e, quem sabe, abrir conversas mais profundas sobre seus acordos e desejos. É um ambiente adulto, respeitoso e provocador, onde ninguém é obrigado a nada, mas todos são convidados a olhar para o próprio tesão com mais liberdade.
Relacionamento aberto depois dos 50 é possível, sim, mas, antes de qualquer rótulo, o convite é para viver o amor e o prazer com honestidade. Se esse tema mexeu com você, conheça as festas da Revolution, descubra a programação e permita-se imaginar que a sua segunda metade da vida pode ser tão intensa quanto a primeira. Só que, agora, com muito mais consciência das escolhas que você faz.