Você já se perguntou por que temos orgasmos? Biologicamente falando, o orgasmo não é essencial para a reprodução e talvez por isso seja, durante séculos, negligenciado ou mesmo reprimido, especialmente no que diz respeito ao prazer feminino. No entanto, do ponto de vista emocional, fisiológico e até social, o orgasmo é um verdadeiro reset do corpo: reduz níveis de estresse, melhora a qualidade do sono, fortalece o sistema imunológico e libera ocitocina, o hormônio responsável pelo vínculo, pela empatia e pelo sentimento de conexão.
Apesar de seus inúmeros benefícios, o orgasmo, sobretudo o feminino, passou muito tempo interditado. Até o início do século XX, mulheres que apresentavam desejos sexuais ou sintomas emocionais foram rotuladas como “histéricas”, uma “doença” que Sigmund Freud tentou explicar a partir de suas teorias da psicanálise. Freud chegou a afirmar que muitas mulheres não alcançavam o orgasmo vaginal e que essa “falha” indicaria uma imaturidade psicossexual, uma visão que, embora ultrapassada, refletia o olhar de uma sociedade patriarcal que via o prazer feminino como um desvio.
De acordo com os registros históricos, o orgasmo feminino era ignorado ou classificado como patológico. Freud, ainda que tenha aberto portas importantes para o estudo do inconsciente e do desejo, também reforçou o ideal do prazer centrado no homem. Para ele, o clitóris era apenas uma “zona de passagem” até que a mulher aprendesse a ter orgasmos vaginais com penetração. Isso, no entanto, foi desmentido por décadas de estudos posteriores, como os de Alfred Kinsey e, mais tarde, de Masters e Johnson, que comprovaram que o clitóris é a principal fonte de prazer sexual feminino, e que o orgasmo não deve seguir um modelo único.
Hoje sabemos que o prazer não é linear. Ele é treino, é escuta do corpo, é entrega sem culpa. Ainda assim, muitas mulheres relatam dificuldade em atingir o orgasmo, não por uma questão física, mas pela bagagem cultural que ainda associa prazer a promiscuidade, pecado ou vergonha. Em um mundo que ainda cobra o orgasmo como “desempenho”, lembrar que ele é um processo individual, subjetivo e que pode (e deve) ser construído com paciência é um ato revolucionário.
Neste Dia do Orgasmo, o convite é à reflexão e à reconexão: quantas vezes você já se permitiu sentir prazer sem culpa? Você conhece o seu corpo ou estásomentes tentando “atingir uma meta”? O prazer feminino não deve ser exceção, deve ser direito, deve ser rotina, deve ser liberdade.
Porque o orgasmo, muito além do ápice de uma relação, é também uma forma de se (re)conhecer. E isso, por si só, já é uma revolução.

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