Pesquisas recentes mostram que jovens da Geração Z estão cada vez mais interessados em relações não monogâmicas, mas será que maturidade emocional acompanha essa abertura?

Nos últimos anos, a ideia de relacionamento aberto deixou de ser tabu para se tornar pauta constante em debates sobre amor, liberdade e afeto. Uma pesquisa realizada em 2024 pela plataforma Ashley Madison, em parceria com o instituto YouGov, revelou dados que ilustram essa mudança de comportamento. Segundo o levantamento, 59% dos membros da Geração Z (pessoas entre 18 e 29 anos) no Brasil consideram o modelo de relacionamento aberto ou poliamoroso como ideal. As razões apontadas por eles vão desde o desejo por experiências mais completas no campo sexual e/ou romântico (65%), até a valorização da mente aberta diante de diferentes formas de amar (54%) e o incentivo à comunicação mais clara sobre desejos e necessidades (46%).
O interesse crescente das gerações mais jovens por dinâmicas afetivas não tradicionais está longe de ser um fenômeno exclusivamente brasileiro. Em outros países analisados pelo estudo, que abrangeu dez nações, o resultado também evidenciou uma tendência global à flexibilização dos modelos afetivos. Nos Estados Unidos e no Canadá, por exemplo, outras pesquisas apontam que a média de idade para experimentar um relacionamento aberto gira em torno dos 28 anos. Já em análises qualitativas conduzidas por pesquisadores em 2023, observou-se que muitos adultos que vivem de forma não monogâmica têm em média 37 anos, indicando que o interesse por esse tipo de vínculo vai além da juventude e se estende a fases mais maduras da vida.
Essa diferença de faixa etária entre o desejo e a prática levanta uma questão importante: existe uma idade ideal para viver um relacionamento liberal? A resposta, embora não seja exata, passa por um ponto central, o amadurecimento emocional. Estudos sobre relacionamentos abertos mostram que, para que esse modelo funcione, é fundamental que os envolvidos tenham habilidades como autoconhecimento, inteligência emocional, empatia e capacidade de comunicação não violenta. Muitas vezes, a curiosidade e o entusiasmo da juventude não caminham ao lado dessas competências, o que pode gerar frustrações, inseguranças e conflitos que comprometem a experiência.
Conforme apontam especialistas em psicologia afetiva e sexualidade, relações abertas bem-sucedidas costumam acontecer quando os parceiros estão emocionalmente preparados para lidar com sentimentos como ciúme, frustração e insegurança, além de manter uma comunicação honesta e constante. Ou seja, não se trata apenas de idade cronológica, mas de maturidade relacional. Ainda que o desejo por liberdade e novas experiências surja cedo, muitos adultos relatam que só se sentiram prontos para vivenciar relações não convencionais após os 30 anos, quando haviam desenvolvido maior estabilidade pessoal e clareza sobre seus limites e desejos.
Portanto, embora não exista uma “idade certa” para viver a não monogamia, há, sim, uma fase da vida mais propícia ao equilíbrio emocional que esse tipo de relação exige. A escolha por um relacionamento aberto pode ser libertadora e enriquecedora, desde que feita com consciência, respeito mútuo e disposição para o diálogo. E, como revelam as pesquisas, quanto mais madura for essa decisão, maiores as chances de que ela seja saudável e prazerosa para todas as partes envolvidas.

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