
Privados do “coquetel” hormonal do prazer, o cérebro busca recompensa na comida; especialistas apontam relação direta entre a ausência de sexo e o ganho de peso.
A rotina corrida, o estresse do trabalho ou a falta de um parceiro podem não estar afetando apenas a sua vida sexual. De acordo com neurocientistas e endocrinologistas, a ausência de intimidade física pode estar diretamente ligada ao aumento de peso. Quando o cérebro deixa de receber as doses regulares de dopamina, ocitocina e endorfinas os hormônios liberados durante o sexo, ele tende a buscar essa mesma sensação de prazer e recompensa em outra fonte imediata e acessível: a comida.
O que acontece no cérebro de quem está há um tempo sem relações íntimas é uma verdadeira “recaída química”. Durante um encontro sexual satisfatório, o corpo libera um coquetel poderoso: a dopamina traz a euforia e o desejo; a ocitocina promove a sensação de apego e aconchego; e as endorfinas atuam como um analgésico natural, gerando relaxamento.
Sem essa descarga hormonal, o sistema de recompensa cerebral, o mesmo que nos faz sentir prazer ao conquistar um objetivo ou ao ouvir uma boa música, fica em estado de carência. Estudos de neuroimagem funcional mostram que, diante desse vácuo, o cérebro ativa as mesmas áreas de prazer ao consumir alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar e gordura. O chocolate, por exemplo, é um potente estimulante por conter feniletilamina (PEA), a mesma substância ligada à sensação de euforia do amor.
Além do prazer imediato, o sexo atua como um regulador natural do apetite. Isso ocorre porque a atividade íntima reduz os níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Com a diminuição do cortisol e a estabilização da dopamina, a compulsão por doces e a chamada “fome emocional” perdem força. “O sexo acalma o sistema nervoso”, explica a neurociência. “Sem ele, o corpo permanece em estado de alerta, e a comida vira um ansiolítico”.
A relação hormonal vai além do comportamento. Em primatas não humanos, estudos observaram que a remoção da função hormonal ligada ao ciclo reprodutivo resultou em ganho de peso significativo, evidenciando que a conexão entre metabolismo energético e química sexual é profunda e fisiológica. No dia a dia, isso se traduz no seguinte ciclo: sem a recompensa da intimidade, aumenta-se a ingestão de calorias vazias em busca de bem-estar, o que, a médio prazo, reflete na balança.
A ciência, portanto, sugere que a saúde sexual e a alimentar andam de mãos dadas. Não se trata de defender o sexo apenas como atividade física (embora ele também queime calorias), mas sim como um pilar da regulação emocional e hormonal. O corpo não aceita ficar sem recompensa: se o afeto e a intimidade não chegam, o cérebro vai pedir um doce. Equilibrar essas fontes de prazer pode ser a chave tanto para o bem-estar mental quanto para o peso saudável.