Nos últimos meses, a internet ferveu com rumores e fofocas envolvendo relacionamentos de celebridades. Primeiro, a separação de Virgínia Fonseca e Zé Felipe, marcada por boatos de traição, depois outra polémica entre Virginia e Vini, mais traição, tudo sem provas concretas. Agora, a cantora IZA, que voltou a falar publicamente sobre a infidelidade sofrida em 2024, quando estava grávida de Yuri Lima, uma ferida antiga, mas que retornou às manchetes em 2025 após o novo término do casal.
Esses casos, ainda que diferentes, colocam em evidência uma questão importante: será que não estamos presos a uma visão romântica ultrapassada, em que o homem deveria ser monogâmico por natureza? A verdade é que o patriarcado nos ensinou uma ideia de amor “Disney”, onde o parceiro não olha para mais ninguém, não sente desejo fora da relação e vive no eterno “felizes para sempre”. Mas a vida real é bem mais complexa que isso, e talvez esteja na hora de desconstruirmos esse mito.
Durante séculos fomos ensinados a acreditar na narrativa de “felizes para sempre”, um ideal moldado por contos de fadas e reforçado pelo patriarcado. Nesse roteiro, o homem deveria se contentar em nunca mais olhar para outra mulher após entrar em um relacionamento. Mas, sejamos realistas: o desejo não desaparece, apenas foi reprimido ou escondido em nome da monogamia idealizada.
A sociedade patriarcal nos deu a imagem do príncipe fiel e da princesa submissa como modelo a ser seguido. Só que o mundo mudou e as formas de se relacionar também. Desejo não é sinônimo de traição, é uma força natural que pode ser negociada e vivida de forma consciente. O problema não está em sentir, mas em mentir, esconder e machucar. É aqui que entra a possibilidade de novos acordos: casais podem decidir viver encontros, brincadeiras ou até “dates extraconjugais”, desde que ambos concordem, definam limites e estejam amparados pelo diálogo.
A filósofa Simone de Beauvoir já alertava: “amar não é submeter-se, é colaborar para que o outro se torne livre.” Esse olhar rompe a ideia de posse e abre espaço para entendermos que relações saudáveis podem incluir desejos múltiplos, desde que haja respeito mútuo. Já o sociólogo Zygmunt Bauman, ao falar de “modernidade líquida”, lembra que vivemos tempos em que vínculos são frágeis e precisamos aprender a nos adaptar, criando relações mais flexíveis e transparentes.
E como fazer isso, na prática? Uma ferramenta essencial é a Comunicação Não Violenta (CNV), que ajuda a expressar sentimentos e necessidades sem atacar o outro. Em vez de silenciar ou explodir, casais podem conversar sobre ciúmes, inseguranças e desejos de maneira honesta. Isso evita que o desejo seja vivido na clandestinidade da traição e transforma o relacionamento em um espaço de confiança real. No fim, é possível sim ter uma família, filhos, cumplicidade e ainda reconhecer que o desejo humano não é monogâmico. “Felizes para sempre” pode se traduzir em acordos diferentes, mas igualmente válidos, desde que baseados no amor e no respeito.
E você, já pensou em como gostaria de negociar o seu “para sempre”?

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