
Quando abrir a relação é tentativa de salvação, mas o que está em jogo é o fim do amor
Os atores Mateus Solano e Paula Braun anunciaram oficialmente, em 16 de setembro de 2025, o fim de um casamento de 17 anos. O comunicado foi feito de forma conjunta e madura, reforçando o compromisso com os filhos e o respeito mútuo. No entanto, antes de oficializar a separação, notícias publicadas em veículos como Terra e Correio24Horas indicam que o casal teria tentado abrir o relacionamento como forma de manter a união. Paula, inclusive, teria sido vista aos beijos com outra pessoa no bairro da Glória, no Rio de Janeiro, em julho deste ano.
O episódio reacende uma questão importante: até que ponto abrir a relação ou adentrar no meio liberal pode ser a solução para casamentos que já se encontram em estado terminal?
O que Freud nos ensinou sobre o fim do amor
Sigmund Freud já apontava que o desejo e o amor caminham em territórios diferentes da psique. O amor tende a buscar estabilidade, proteção e cuidado; o desejo, por outro lado, é alimentado pela fantasia, pelo mistério e até por uma certa distância. Quando o casamento deixa de conciliar esses dois polos, não é incomum que surja a sensação de esgotamento.
Abrir a relação pode funcionar como um estímulo para casais que ainda nutrem admiração e conexão emocional. Mas, quando o vínculo afetivo já foi corroído, a experiência corre o risco de se tornar apenas uma fuga temporária e não uma solução.
Autoestima e autoconhecimento
Outro aspecto fundamental é o autoconhecimento. Muitos casais buscam no meio liberal aquilo que não conseguem resolver entre quatro paredes: frustrações, bloqueios, inseguranças. A liberdade sexual, quando bem vivida, é saudável e potente. Mas, sem diálogo honesto e clareza de limites, ela pode apenas intensificar problemas já existentes.
É o que o filósofo Zygmunt Bauman chamou de “modernidade líquida”: relações mais frágeis, pautadas pelo imediatismo e pela substituição rápida, sem espaço para amadurecimento. Nessa lógica, abrir o casamento pode ser visto como uma tentativa de alongar um vínculo que já perdeu sua densidade.
O meio liberal como ferramenta não como muleta
É importante diferenciar: entrar no meio liberal não é, por si só, um erro. Para muitos casais, essa escolha fortalece a relação, renova o desejo e amplia as possibilidades eróticas. Mas isso só acontece quando existe uma base sólida de confiança, diálogo e respeito.
No caso de Solano e Paula, o que se observa é que a abertura aconteceu em um momento de desgaste profundo. Ou seja, não foi a origem do problema, mas também não foi capaz de contorná-lo.
Casamentos chegam ao fim por inúmeros motivos: falta de desejo, perda de admiração, projetos de vida divergentes. Tentar salvar uma relação apenas com novas práticas sexuais é ignorar a complexidade dos laços afetivos. Como disse Freud, “não somos senhores em nossa própria casa” e o desejo, por vezes, nos escapa.
Abrir a relação pode ser enriquecedor quando há amor, mas dificilmente será a cura quando o amor já partiu. A história de Mateus Solano e Paula Braun é um exemplo contemporâneo de que nem sempre expandir os limites sexuais basta para manter viva uma união.